9 de setembro de 2007




Eu tentei por tempos, com minhas verdades feitas, tocar a perfeição. Hoje por um “desafio” lançado fiz tudo diferente do que um dia fiz. Por isso digo: Talvez tenha buscado a perfeição em um lugar errado... Não, não. Não que tenho buscado em um lugar errado, mas busquei a perfeição como se só a li ela estivesse e hoje posso lhe dizer que a perfeição está naquilo que você não busca. Está naquilo que acontece por acaso.

Estava eu ali andando e pensando no que faria no dia que eu assumi como Hurricane Day. Nada na cabeça. Como que de destino, encontro um amigo antigo que me faz uma proposta. Proposta essa, mais louca do que avisa sido o seu achado ali. Disse ele sem pensar no que ouviria e em tom de brincadeira:

- vamos num show de pagode comigo.

Sempre gostei da presença daquele garoto louco que ama a vida. E sem titubear, aceitei a sua proposta. Começava ai o meu Hurricane Day. E fomos nós para um show de pagode (pagodat o nome da banda) tomando bacardi (primeira vez que tomei isso). Ainda arriscamos ele e eu a dançar algumas músicas. "Roqueirinhos dançando pagode". Foi o que mais ouvimos.

Nota: Não sou roqueirinha ou qualquer “paliativo” do tipo.

Digo-lhe: gosto de música. Qual? Qualquer uma que eu ouça e meu fino e desengonçado ouvido goste. E hoje depois, do meu primeiro show de pagode (mesmo morando na Bahia) e do meu primeiro litro de bacardi, digo-lhe: Gosto de tudo que agrada ao meu fino ouvido e as minhas grossas pernas. Conclusão? Viva o que a de diferente em nossas vidas.

Nota 2: 36 horas bebendo e fumando e esperando o que poderia acontecer. Meu pesar para quem não curtiu o tal dia americanizado (que já foi uma inovação, pois odeio quando as pessoas americanizam coisas sem necessidade).

Nota 3: Feliz demais por ver que coisas novas relevam. Feliz demais por ver que coisas velhas permanecem boas com sempre foram.

28 de agosto de 2007





Como se a "menina do balão mágico" perdesse as esperanças...

- Ficar pra que? Por quê? O que tens tu a oferecer-me?
- Ouro, prata, carros, casa...
- Ha! Balela! Tu não tens nada!
- Não, na verdade não tenho. Mas tenho coisas pra lhe proporcionar que nem todo o dinheiro do mundo compraria.
- Sei, sei... O que?
- Posse fazer-te flutuar, tocar estrelas, andar por entre nuvens...
- E isso serve pra que?
- Ué... Não sei... Mas é bom, muito bom!
- Ta! Tenho que ir agora!
- Não vá! Não saberei viver sem ti!
- Saberá sim. Viveu tanto tempo sem se quer saber de minha existência.
- Eu nasci pelado e hoje não posso viver sem roupas!
- Hã? Não confunda-me, tenho que ir!
- Vá!
- Como? Não vais mais suplicar?
- Não.
Dá-lhe as costas, tira as roupas e segue a andar...

Volta ela tempos depois e suplica-lhe:
- Faça-me voar, ver estrelas, tocar nuvens e tudo aquilo que a tempos propôs...
- Não!
- Por quê?
- Porque assim como o seu dinheiro, isso não serve de nada...
- Como assim? Achei que servia...
- Servia quando minha vontade de dá-lhe era de coração, nada vale sem coração. E hoje graças o que me ensinastes não tenho mais um coração metafórico, tenho apenas um coração fisiológico que bombeia sangue e blábláblá...
Dá-lhe as costas, veste as roupas e segue a andar...


“...Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor...”

5 de agosto de 2007





"Carta para alguém bem de perto..."

Queria saber para onde foi à energia daquela menina que me fazia sorrir. Ainda não sei onde me perdi, mas como sempre me perco não me sinto apavorada. Assumo que senti certo frio na espinha ao ver que não estava mais aqui. Queria falar-lhe sobre algumas coisas, como se escrevesse uma carta. Pensei por vezes em escrevê-las mesmo, mas como sei da falta de coragem que teria em entregá-las, acabei por desistir. Não quero mais amontoar as gavetas com cartas que não mando.

Falando nisso, me lembrei de uma música não sei de quem que tem esse mesmo nome. Há uma frase nela que era tudo que queria lhe dizer agora: "Eu fico imaginando sua casa e seus amigos. Com quem você se deita e quem te dá abrigo. Eu me lembro que já contei com você". É já contei com você. Pra lhe ser sincera ainda conto. A minha força. A minha vontade de coisas boas. Os medos que derrubo. As coisas que venho conquistando. Sim, minhas glórias atuais pertencem a você. Parar de falar ao vento e falar para quem deveria ouvir talvez fosse a minha solução... Mas não, não quero correr o risco de jogar tudo fora.

Sabe, só queria lhe dizer como andam os meus dias. Tenho sentido algumas saudades, brutais como só as reais saudades sabem ser. Saudades daquelas conversas insanas e incessantes da madrugada. Saudades daquele cheiro que eu insistia em sentir. Aquelas músicas... Ah... Aquelas músicas...

Venho tentado me manter de pé. Forte, firme, “fodona”. É difícil, realmente é muito difícil. Talvez fosse isso que você queria que eu aprendesse. Aprender a andar sozinha ainda é o meu maior desafio. Mania que tenho essa de me apoiar. Preciso descobrir a verdadeira força das minhas pernas. Preciso aprender a viver sem a minha inútil terceira perna.

Bom, havia dito que não escreveria cartas para não mandá-las. E aqui está. Uma quase carta que não mandarei...



"Avisos luminosos, meus alarmes
que eu desligava sempre que tocavam
por livre e meio estúpida vontade.
Se agora eu cato a alma pelos cantos
a culpa não foi sua eu te garanto."

28 de julho de 2007





Nada pra dizer hoje...

____Um dia frio. Uma noite longa. Uma vida curta. Lá estava ela no mesmo lugar. No mesmo lugar que freqüentara por meses. No mesmo lugar que não fora há meses. Após dias monótonos, tudo parece voltar ao normal e a noite, a noite iria ser longa.
____O corpo dela jazia em um chão úmido, ela estava sentada na guia de uma rua movimentada com alguns dos seus. A espera da hora. A espera da noite, que apesar de ser noite ainda era dia.
____Vestida em uma roupa velha, com meias rasgadas, a blusa que um dia fora preta, mas quando o escuro é escuro, o cinza vira preto, a cor vira negra e as pessoas viram... As pessoas viram.
____Ela estava lá à espera da dopamina, do torpor, do esquecimento, do regresso do passado sujo... Quem sabe uma tequila? O absinto já está muito caro por aqui. Uma tequila, um pouco de gim e mais um pouco de gim. Alguns goles de uma cerveja e mais uma cerveja. Gim com Tônica. Já não resta mais dinheiro para mais tequila.
____Dia impuro. Torpor leve. Noite longa. Noite pingante, chuvante, cansante, dopante. Confortavelmente anestesiada. O tempo acabou, mas o inverno ainda não chegou... Ela sabia que meia noite era hora de correr, meia noite, meio chovendo, meio desespero, meio que meio. A escada não falou comigo e ele não estava lá.
____A princípio o medo da pele alva e das lustrosas cabeças lá presente. Dentre os quais um olhava pra ela com cara de fome e ela não retribuía o olhar, apenas ficava no canto dela com cara de medo.
____Centro, madrugada, sem condução, sem condições e por mais uma vez, era tão tarde que chegava a ser cedo.
____O dinheiro era curto, a casa estava vazia e a noite prometia que iria ser longa. Quanto mais eu olho o cardápio, mais eu acredito que eu não tenho dinheiro. “Moço, quanto é o absinto nacional?” Parar pra recontar a grana? Não, não é possível... Eu não gosto de pinga, eu não quero pinga... O dinheiro é curto, a noite promete ser longa e vazia. “Vê-me um bombeirinho...” A media que o gelo derretia a bebida enfraquecia. Vou jogar o gelo fora.
____A lua mortal. As luzes amarelas e densas invadiam o ambiente escuro. Estava vazio, a bebida cor de gelatina de morango começava a subir e a mente dela a embaralhar, até que uma hora salvaram a noite e a música mostrou-se boa. O líquido vermelho começou a baixar e vários cigarros eram queimados entre os dedos dela, mas dessa vez ela os fumava. Aspirava à fumaça e a soltava no ar quente, abafado do lugar.
____Todas as trevas se transformaram em luz. O que antes era amargo ficou doce. O que antes era pinga virou água. O lugar fechou. Andar para andar. Andar para passar o tempo. Andar até andar. Na padaria não havia pão. Pedir pão velho ao padeiro. A grana curta, depois da noite longa. A felicidade do pão velho enganava o estomago.
____A noite acabou, quando o sol dava sinais de vida. Ah, saudade de quando a noite era só nossa. A noite também já foi minha. Hoje? Apenas um dia frio, uma noite longa, uma vida curta...

"Fique mais,
Que eu gostei de ter você,
Não vou mais querer ninguém,
Agora que sei quem me faz bem."